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domingo, 6 de julho de 2008

Mossoró poderá perder o acervo bibliográfico de Dorian Jorge Freire

A cidade que propaga aos quatro cantos do mundo que é a capital da cultura do Rio Grande do Norte e que já teve a audácia de tentar o título de capital da cultura do país pode perder o acervo bibliográfico do maior jornalista que Mossoró já teve, Dorian Jorge Freire.
"Estou pensando em vendê-la ou doá-la à Biblioteca Nacional, já que a prefeitura, a Uern, ninguém se pronuncia sobre ela", revela um dos cinco filhos de Dorian, Luiz Fausto, também jornalista.
São cerca de dez mil livros de todas as áreas. Um passeio pela literatura estrangeira e nacional. Em 1948, Dorian Jorge Freire começou a montar a sua biblioteca. Há muitos livros inclusive autografados pelos próprios autores. "É uma biblioteca seletiva", diz Luiz.
Luiz Fausto conta que encontrou uma carta de Dorian, depois do falecimento dele, onde o jornalista pedia que os filhos não dividissem os livros entre eles. "Para não descaracterizar a biblioteca. Se um dos filhos pudesse ficar com ela, que ficasse. Se não fosse possível, que a biblioteca fosse vendida inteira, preferencialmente para o município, e que ganhasse, na sala onde ficasse o nome dele", disse Luiz.
A prefeitura começou a fazer, há dois anos, a pedido da família de Dorian, um trabalho de recuperação dos livros. Mas de repente parou. Numa conversa que teve com Gustavo Rosado, chefe de gabinete da prefeitura, logo depois da morte de Dorian, Luiz Fausto ouviu dele o interesse não só na biblioteca, mas também na casa. Gustavo acenou com a possibilidade de transformar a casa do jornalista em Casa da Cultura Dorian Jorge Freire, mantendo-a como está ou até recompondo-a como ela era antigamente.
"Seria o ideal, claro. Porque Raíssa (a outra filha de Dorian) não quer morar lá e nós não vamos vendê-la para que seja derrubada".
Gustavo Rosado disse que a manutenção ainda é feita pelos funcionários da Biblioteca Ney Pontes e que há a possibilidade de levar o acervo para lá. E confirmou a possibilidade de transformar o antigo lar de Dorian numa casa de cultura.
"Transformar a casa de Dorian numa casa de cultura é fruto de uma conversa que tive com Luiz Fausto. Seria interessante, mas ainda não está definido. Para este ano está completamente descartada essa possibilidade. Caso a atual administração seja renovada, o projeto será incluído no plano de governo", disse o chefe do Gabinete Civil.
Biografia:
O jornalista Dorian Jorge Freire nasceu em Mossoró em 1933 e faleceu em 24 de agosto de 2005, de falência múltipla dos órgãos, aos 71 anos. Neto, filho, e pai de jornalistas, Dorian, segundo seus próprios relatos, começou a carreira de “calça curta”, em 1948, a convite do jornalista Lauro da Escóssia, no jornal O Mossoroense. Neste periódico, Dorian Freire ficou responsável pela seção semanal “Crônica da Cidade”. Falava sobre tudo, mas o ponto principal era o combate aos problemas sociais de Mossoró.
De 1954 a 1961 foi repórter e colunista político da Última Hora. Depois, fundou e dirigiu, até o golpe de 64, o semanário Brasil, Urgente. Trabalhou com Caio Prado Júnior na Revista Brasiliense. Fundou e dirigiu, até ser fechada pelos militares, a Editora Sinal. Foi repórter e redator das revistas Escola e Realidade, diretor do Diário de Natal, diretor da Tribuna do Norte e diretor do O Mossoroense. Professor da Universidade Regional do Rio Grande do Norte (URRN) e membro da Academia Norte-Riograndense de Letras (ANL).

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Infraero suspende operação noturna do aeroporto de Mossoró

Fotos: Luciano Lellys

WILLIAMS VICENTE
Da redação
O aeroporto de Mossoró que mal funciona - o último vôo comercial aconteceu em 2005 quando a BRA operava na cidade - agora vai reduzir ainda mais o movimento de pousos e decolagens de aeronaves. Ontem pela manhã, o chefe do Grupamento de Navegação Aérea de Mossoró (GNAMS), José Wilson de Araújo, anunciou que operações noturnas estão suspensas.

A partir de agora, os aviões só poderão pousar ou decolar do aeroporto entre o nascer e o pôr-do-sol, até por volta das 17h20, horário que o dia começa a escurecer em Mossoró. Isso porque lâmpadas da pista que servem de guia para os pilotos foram furtadas e outras estão queimadas ou quebradas.

"A falta de manutenção do balizamento de pista atingiu o limite recomendado pelo Cindacta III. Por uma questão de segurança suspendemos o balizamento", explica José Wilson.

Segundo recomendação da Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) e do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA III) o limite de lâmpadas balizadoras com defeito não pode ultrapassar 15%. A situação do aeroporto de Mossoró extrapola essa cota. Das 104 lâmpadas de pista e balizamento, vinte e uma estão danificadas, número que corresponde a 17,3%, o que torna o sistema inoperante.

"Essas lâmpadas não servem para usar em casa. Elas não se encaixam em nenhum bocal nem a voltagem das residências, então, não adianta furtá-las", disse José Wilson.

Com o cancelamento do funcionamento noturno, apesar de não haver vôo comercial na cidade, haverá prejuízos para empresários que utilizam jatos particulares para fechar negócios na região; aeronaves que precisarem prestar socorro médico - "mês passado tivemos uma aeronave que pousou para pegar um enfermo", conta José Wilson -; e o principal setor afetado será o transporte de malotes. "Os bancos enviam os malotes pela Jad Táxi Aéreo, por exemplo, às 18h20 e agora terão que se adequar ao pôr-do-sol, não sei como eles vão fazer".

Além das lâmpadas queimadas, contribuem para a inoperância do aeroporto problemas antigos e já conhecidos para quem utiliza o local. O mato tomou conta do aeroporto e há arbustos grandes próximos às pistas, quando deveriam estar a pelo menos 150m de distância das cabeceiras. A segurança também põe em xeque o movimento no local.
O aeroporto Governador Dix-sept Rosado é cercado por arame farpado que é constantemente furtado. Dos 5.100m de cerca, 140m foram levados do trecho da área A. "O aeroporto está vulnerável a entrada de pessoas e animais. Repor esse arame é uma questão urgente", disse José Wilson. Só neste mês foram registrados três furtos de arame farpado, o último aconteceu na manhã de terça-feira.
José Wilson admite que a freqüência dos furtos é caso de polícia, mas não soube precisar se Boletins de Ocorrência (BOs) estão sendo feitos pela administração. Em contato com o administrador do aeroporto, Lázaro Veras, a reportagem descobriu apenas que o DER (Departamento de Estradas de Rodagens, órgão responsável pela gerência do aeroporto) estava recebendo as notificações dos desfalques.
Francisco Mota, diretor regional do DER, informou que os primeiros furtos eram tão pequenos que o departamento era notificado, mas não registrava BOs, embora a polícia fosse acionada sempre que o fato ocorria. Com o furto de terça-feira, a polícia foi notificada oficialmente do caso. A diretora de transporte do DER, Valéria Arruda, suspeita que moradores de um assentamento na região possam estar levando o arame farpado, mas deixou claro que se trata de uma possibilidade, frisando que a polícia é quem tem que investigar.
Para solucionar esses problemas, José Wilson disse "já solicitei as medidas ao DER e estamos aguardando uma solução". As lâmpadas queimadas e furtadas, calcula o chefe do GNAMS, devem custar por volta de R$ 3 mil. Valéria Arruda informou que o departamento está tomando as providências e espera que no máximo até o final da semana que vem o arame esteja reposto, o matagal em processo de limpeza e as lâmpadas restauradas.
A demanda requer tempo, afinal, dinheiro público para ser liberado passa pela demanda da burocracia, mas a urgência em recuperar o aeroporto é tanta que, segundo José Wilson, a empresa de táxi aéreo JAD se mostrou interessada em fazer parceira com o DER para repor as lâmpadas.
Por outro lado, existe um projeto em elaboração pelo DER para restaurar e ampliar o aeroporto de Mossoró que estará em pauta na próxima segunda-feira, numa reunião em Recife-PE promovida pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil).
Até o final da semana que vem, o projeto chegará aos gabinetes da agência para análise e, depois de aprovado e licitado, o que deve acontecer até 30 de junho, a ampliação de pistas de pouso e decolagem, a recuperação de pista de táxi, implantação de farol rotativo para facilitar visibilidade noturna, a construção de um muro de tela (já que estudos do COMAR - Comando Aéreo Regional de Recife - atestaram a inviabilidade de construção de um muro de concreto, dada a proximidade com as pistas) e outras medidas que devem pôr em ordem o funcionamento do aeroporto entrarão em prática com o dinheiro do Programa Federal de Auxílio a Aeroportos (PROFAA), - R$ 1,6 milhão estão para serem liberados - mais contrapartida do Estado de R$ 345 mil.

domingo, 11 de maio de 2008

Prefeitura faz uso irregular de propaganda

Administração da prefeita Fafá Rosado usa propaganda institucional de forma irregular

Bruno Barreto

Os gastos com propaganda por parte do poder público sempre geram críticas da oposição em qualquer lugar do país, mesmo que os comerciais de TV e outdoors estejam dentro do que prevê a lei.
A situação passa a ser insustentável quando a propaganda apresenta irregularidades como desrespeito aos princípios da impessoalidade e da moralidade e de quebra ainda pode se configurar em improbidade administrativa. O problema se torna ainda mais grave quando ocorre em um ano eleitoral.
Em Mossoró, a forma como a prefeitura realiza a propaganda institucional é questionada por operadores do direito como o presidente da Subseccional de Mossoró da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e professor da disciplina Direito Eleitoral da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Humberto Fernandes.
Segundo o advogado, propagandas de TVs e jornais bem como a forma como a prefeita Fafá Rosado (DEM) aparece no saite da prefeitura e em matérias pagas em jornais não fere somente a legislação eleitoral, se configurando como propaganda extemporânea, mas pode até ser considerado um ato de improbidade administrativa. É nesse aspecto que se encaixa "A propaganda institucional fere a lei eleitoral. Também existe um ilícito em relação a legislação que, em tese, pode caracterizar improbidade administrativa.
O comentário de Humberto Fernandes se baseou em slogans como o "Mossoró da Gente", comerciais de rádio em que se usa a frase "Administração Fafá Rosado inaugura obra da avenida Rio Branco" e o uso do azul (cor da campanha de Fafá em 2004) em prédios e fardamentos da prefeitura. "Não se pode confundir o pessoal com o institucional. Quem faz a obra é a prefeitura e não a prefeita. Ela é apenas o agente administrativo. A lei proíbe atitudes como essas. A prefeita pode ter que devolver aos cofres públicos a verba gasta com os comerciais".
O problema se estende também a matérias pagas publicadas em jornais e o saite www.prefeiturademossoro.com.br em que aparece matérias de cunho político como a que registrou em 4 de abril a participação de Fafá em um mutirão contra a dengue e danos causados pelas enchentes.
Em todas essa situações, a prefeita está sujeita a punições que vão desde a retirada dos comerciais do ar até mesmo a perda do registro de sua candidatura à reeleição. Ela pode também responder por improbidade administrativa e ser obrigada a pagar uma multa a ser estipulada pela Justiça.
Prefeita de Fortaleza é proibida de aparecer em propaganda institucional
Desde março a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), está proibida de aparecer na propaganda institucional da prefeitura sob pena de pagar uma multa diária de R$ 50 mil. A decisão é do juiz da 117ª Zona, Emanuel Leite Albuquerque, designado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Ceará para atuar como coordenador da propaganda eleitoral deste ano na
capital cearense.
A proibição não é apenas para a imagem da prefeita, mas também para a inclusão do seu nome ou símbolo da administração na propaganda institucional do município.
A sentença atende, em parte, solicitação do PSDB, que acusa a prefeita de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação.
Na Representação, o partido sustenta que em janeiro deste ano a prefeita promoveu sua imagem pessoal e desvirtuou o processo eleitoral, transformando propaganda institucional em propaganda antecipada.

Quem é esse garoto?


O Mossoroense de 04 de maio


Williams Vicente



Ele é alto, branco, tem cabelos louros e uma forma compassada e calma de falar que só entrega o roqueiro nato que é pelas vestimentas. Um jeans e uma camiseta preta entregam que na terra do forró existe um rocker original.


Em seu sexto álbum, "Miraselva", Cezôca abre alas para a nova proposta na faixa "Tarde demais" convidando o ouvinte a um passeio pela verdade do bom e velho rock. "Corra, vá buscar o amor/ Saia, vá viver a vida/ Fuja da dor".


Do começo na década de 1970, quando o cantor e compositor Francisco César de Góis musicou a sua primeira letra, passando pelas dúvidas de se poderia ser ou não cantor, ele sempre teve certeza de uma coisa: que seria o rock o delineador de sua vida nessas três décadas de carreira.

"Eu sou um cara que batalha aí há bastante tempo. Desde criança eu gostava muito de música. Participava dos concursos “A Mais Bela Voz”, da rádio Rural, comecei a participar. Fui a mais bela voz na minha cidade (Felipe Guerra) e quando vi que podia fazer música, claro que fui estudar, entrei de cabeça, comecei a fazer minhas composições e conheci o Luiz GP Luz, um mossoroense radicado lá em Recife, entrei em contato com ele e fiz meu primeiro trabalho lá".

"Brasileiro", em 1989, "Minha Estrada", em 1992, "Triângulo Perfeito", em 1997, "Brasil de Uns e de Outros Não", em 2001 e "Presídios do Brasil", em 2005, são os álbuns anteriores calcados todos no rock e reggae "sem perder as influências de Zé Ramalho, Elba Ramalho e muita coisa da MPB" que antecedem e desembocam na atual sonoridade de "Miraselva".

"Uma homenagem à avenida de entrada de minha cidade. Parece que você está entrando em uma cidade grande. É uma avenida muito bonita, bem ampla e resolvi homenagear, aliás, sempre tenho homenageado a minha cidade nos meus discos".

Cezôca compôs e musicou todas as faixas do disco gravado em Recife, em março do ano passado. Sob a direção de Daniel Macedo e parcerias com Zé da Flauta (instrumentista, flautista, compositor e produtor musical. Em 2003, assumiu o cargo de coordenador de Música da Secretaria de Cultura do Recife), "Miraselva" tem pinta de anos 80, com um quê de new wave e hard rock, com cheiro de garagem e até tem espaço para uma de pitada de forró à Alceu Valença (aqui a miscelânea é interessante, mas as vezes destoa do resto do disco, porém nada que comprometa a integridade musical de Cezôca). Os ares de Recife são perceptíveis na voz e no rock do cantor

Cantado todo em português com aquele tom que ora lembra a marcação da Legião Urbana, ora passa pelo requinte do cancioneiro da MPB como o próprio Cezôca faz questão de frisar, "Miraselva" revela um homem com ar jovial (que ele guarda tanto musical quanto pessoalmente). Quem seria esse garoto?

Uma mistura de Morrissey com Djavan? "Estou ouvindo Bob Dylan tão amargo quanto eu". Beatles, Rolling Stones, Elvis Presley, Jimi Hendrix, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Gal Costa, Luiz Gonzaga são alguns dos deuses da música que inspiram Cezôca a falar de dor, ou de amor e de política. "O desemprego aumentou/ a culpa foi do PT/ A educação piorou/ Milhões que nunca vão ler e escrever" canta delineado pela guitarra em "Insegurança”.

O disco é encerrado em clima de nostalgia num lá lá lá iauê que remete e convida à terra-natal Felipe Guerra, lugar "para ver o verde da várzea coberto por uma concha azulzinha do céu".

domingo, 27 de abril de 2008

O CD veio para matar o vinil e deve morrer primeiro


WILLIAMS VICENTE



Era um ritual simples. Antes de mais nada, existia o prazer de ver a capa e tocá-la. Foi-se o tempo em que se tocava na música. Você tirava o disco da capa, colocava-o com delicadeza no prato da vitrola, pegava a pequena alavanca do braço (ou pick-up), virava para o lado que queria (78 ou 33 e 45 rpm) e deixava pousar sobre o bolachão. Aquele chiado inicial antes de começar a canção é inclusive usado como sonoridade em músicas até hoje.


O disco de vinil surgiu no ano de 1948, tornando obsoletos os antigos discos de goma-laca de 78 rotações, que até então eram utilizados. A partir do final da década de 1980 e início da década de 1990, a invenção do Compact Disc (CD) prometeu maior capacidade, durabilidade e clareza sonora, sem chiados, fazendo os discos de vinil ficarem obsoletos e desaparecerem quase por completo no fim do século XX. No Brasil, os LPs em escala comercial foram comercializados até meados de 2001.


Mas o último relatório da Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD) revela o declínio da comercialização do formato que pretendia enterrar o vinil. As vendas de CDs e DVDs movimentaram em 2007 R$ 312,5 milhões, o que representou uma redução no faturamento líquido (vendas menos devoluções) das companhias que reportam estatísticas para a ABPD, de 31,2% em comparação ao ano de 2006, quando o setor fonográfico movimentou R$ 454,2 milhões. No segmento digital foram registrados R$ 24,5 milhões de movimentação no setor, o que já representa 8% do mercado total de música no Brasil.


Por outro lado, em 2006, pela primeira vez a ABPD apresentou uma pesquisa de mercado sobre o universo musical na internet. O estudo, encomendado à Ipsos Insight, empresa de pesquisa de marketing do grupo Ipsos, constatou que 8,2% da população pesquisada, o que corresponde cerca de 2,9 milhões de pessoas, baixaram música na internet no ano de 2005, contabilizando quase 1,1 bilhão de canções sendo baixadas da rede mundial de computadores, a grande maioria oriunda das redes de compartilhamento de arquivos (Peer to Peer). Se esses downloads fossem feitos de forma legalizada, o setor teria arrecadado mais de R$ 2 bilhões, ou seja, 3 vezes mais do que o montante faturado pelo mercado oficial em 2005 com a venda de CDs e DVDs originais, que foi de R$ 615,2 milhões.


Na era do vinil, pode-se arriscar dizer que não havia pirataria. O problema começou a surgir quando a evolução tecnológica permitiu separar mídia e conteúdo, além de oferecer inúmeros métodos fáceis e acessíveis para replicar e copiar aquele mesmo conteúdo em diversas outras mídias, como nos casos dos DVDs e softwares. Na verdade, a condenação do vinil foi equivocada, pelo menos até agora.


Quem um dia tocou um vinil não o esquece mais. Talvez a geração digital não venha a descobrir os álbuns em embalagens gigantes e gostosas de serem olhadas e executadas, mas fato é que o vazio da era digital trouxe de volta a atenção pelo vinil. Aliás, ele nunca saiu do mercado. Sobrevive num mundo paralelo e entre ele e o CD é provável que o Compact Disc seja engolido pelo download, pelo menos é o que revela os números.


À medida que o CD vai perdendo terreno como suporte musical, os discos de vinil vêem o seu culto e vendas crescer. A CNN divulgou no começo do ano passado que a venda de singles de vinil de 7 polegadas aumentou de 180 mil unidades em 2001 para mais de 1 milhão de unidades em 2005. Por sua vez, a compra de CDs tem decrescido desde 2000, tendo sofrido uma descida de 20 por cento nos EUA em 2006.


O blog Listening Post, da revista Wired, resolveu perguntar ao eBay, o maior site de leilões do mundo: qual o volume de vendas de discos de vinil entre os usuários do site? A resposta foi surpreendente: atualmente, usuários do eBay compram 6 discos de vinil a cada minuto, ou seja, um disco a cada 10 segundos. O álbum mais comprado e vendido em formato vinil é o álbum branco dos Beatles. Se essa média se mantém constante, são 3.155.760 discos por ano.


São raridades sendo vendidas entre colecionadores e aqueles que resolvem se desfazer de suas bolachas pretas que estão em casa pegando poeira. Mas esses mesmos colecionadores mantêm vivo um mercado paralelo e consistente de novos discos. Os artistas americanos e europeus até hoje lançam os novos álbuns nos formatos CD e MP3, mas alimentam os fãs com edições especiais em vinil. Madonna é mestra nesse quesito, porém estrelas menos conhecidas surpreendem com recordes de vendagens em vinil.


É o caso da banda The White Stripes que bateu o recorde em junho do ano passado com o vinil de um single mais vendido da história do Reino Unido com a música Icky Thump. A canção, que entrou na parada direto no segundo lugar vendeu mais de 10 mil cópias em apenas dois dias. De acordo com o ranking Music Week, da revista NME, a última banda a quebrar tal recorde foi Wet Wet Wet, com o single de Love Is All Around, tema do filme Quatro Casamentos e um Funeral, que vendeu 5 mil cópias em uma semana.


A persistência do suporte pode ser explicada por fatores como a estética e o culto do objeto (que vai resistindo na era dos downloads digitais) ou pela qualidade sonora. Também pode ser justificada pela sua proeminência no circuito dos DJs que encontram nos discos de vinil maior facilidade e possibilidade de manuseamento direto para as suas técnicas de discotecagem, além da popularização de gêneros musicais como o reggae ou o hip-hop, que tem na sua gênese a manipulação de discos.



Pela sobrevivência do bolachão: Senaes entra no movimento pela recuperação da única fábrica de discos de vinil do país


A Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes), do Ministério do Trabalho e Emprego, entrou na ação emergencial para impedir que a Polysom do Brasil, única fábrica de discos de vinil do país, feche definitivamente suas portas em virtude de dificuldades técnicas e financeiras.
A mobilização começou no ano passado sob a liderança do Ministério da Cultura com o lançamento das iniciativas destinadas à preservação da fábrica. Participaram do ato o ministro Gilberto Gil e profissionais ligados à indústria fonográfica nacional.


Em reunião com os proprietários da Polysom, Luciana Carvalho e Nilton Rocha, e com um representante do Ministério da Cultura, em 25 de março, o diretor do Departamento de Fomento da Economia Solidária, Dione Manetti, propôs a elaboração de um plano de trabalho de recuperação, que deve começar com um diagnóstico detalhado da situação atual da empresa. "Incluindo, ainda, o levantamento de investimentos necessários e das oportunidades para essa fábrica no mercado", destaca o diretor.


Por meio desse projeto, Senaes, Ministério da Cultura e os donos da Polysom buscarão parcerias e alternativas de financiamento para a retomada do empreendimento que começou em 1999, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Na época, a empresa chegou a produzir 110 mil cópias por ano para uma igreja pentecostal. Nos últimos anos, com a sofisticação de instrumentos de digitalização musical e por conta de problemas técnicos e financeiros, a equipe foi reduzida a três polivalentes profissionais e a produção passou a cair. No ano passado, registrou somente 23 mil cópias. "Estamos abertos ao novo e com disposição. Acreditamos no que fazemos e que vai dar certo", disse Luciana Carvalho.

sábado, 26 de abril de 2008

O Mossoroense de domingo - Hard candy


A CAPA EM ALTA QUALIDADE FICOU ASSIM, NÃO CONSEGUI SALVAR DIREITO E ALGUMAS LETRAS FICARAM EMBARALHADAS PRATICAMENTE. É SÓ PARA TER UM NOÇÃO.

Geração de emprego com carteira assinada cresce no primeiro trimestre do ano

Geração de emprego formal bate recorde no Brasil e Mossoró segue a tendência. De janeiro a março deste ano foram criados 770 postos de trabalho. Mas com os prejuízos trazidos pelas enchentes, a expectativa é de que a partir de maio a estatítica aponte recuo número de pessoas empregas.

Por Priscilla Dutra


Conforme números do Cadastro de Empregados e Desempregados (Caged), o Brasil criou em março deste ano 206.556 empregos com carteira assinada. O número superou em 41% o recorde anterior ocorrido em março do ano passado. Já no município a variação de empregos (número de trabalhadores que estão aptos a trabalhar) foi de menos 5,30% em 2008 enquanto no ano passado foi de 6, 15%. Isso quer dizer que este ano foram gerados 770 empregos em relação ao ano passado.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego brasileira recuou em março, para 8,6%, e em março de 2007, a taxa havia ficado em 10,1%. Na comparação com o mês anterior (8,7%), houve estabilidade no indicador.

O gerente regional do trabalho e emprego de Mossoró e região Gilton Araújo informa que de janeiro até março deste ano foram admitidos 4.952 trabalhadores e demitidos 6.995, ou seja foram fechados 2.043 postos de trabalho. Enquanto no mesmo período de 2007 foram empregadas 4.182 pessoas e demitidas 6.429, ou seja, uma diferença de 2.247 postos de trabalho a menos.

De acordo com Gilton Araújo apesar de os números serem positivos no momento a tendência é que em abril eles sejam revertidos. "Houve muitas demissões em abril por causa das chuvas. Nossa região é fortemente estruturada na economia de fruticultura irrigada, carcinicultura, sal, enfim, setores que são bastante afetados pelas chuvas. Ainda não contabilizamos as demissões de abril, mas certamente elas serão refletidas no nosso próximo balanço", disse.

As filas extensas estão se formando na Gerência Regional do Trabalho. O pedreiro Allison Max, 20, há quatro meses tinha conseguido seu primeiro com carteira assinada, porém a alegria não durou muito. "Fui demitido por causa desse período de chuvas. Assim como eu muitos colegas foram, agora vou batalhar por uma nova oportunidade", afirma.

Preço do pão aumenta e se equipara ao da carne

Por Leilane Andrade

Pela terceira vez este ano o preço do pãozinho volta a subir. E a partir da próxima segunda-feira o consumidor encontrará o produto 10% mais caro. Em outras palavras, o que hoje pode ser adquirido numa variação entre R$ 5,49 e R$ 6,90, vai ser de R$ 5,80 a R$ 7,80.
O presidente da Associação dos Panificadores de Mossoró e Zona Oeste (Apasmo), Cesário Melo, afirma que este ano o aumento da saca da farinha de trigo já foi de 75%, o que antes era comprada a R$ 68,00 está sendo vendida por R$ 120,00. Porém, para o consumidor mossoroense só foi repassado 27% desse aumento.
O novo reajuste deve-se ao bloqueio de exportações do trigo proveniente da Argentina, de onde o Brasil chega a importar 80% do seu consumo de trigo. Os outros 20% vêm do Canadá. "Agora o Brasil vai precisar comprar o produto do Canadá e por diversas razões eles preferem ter a China como comprador, já que paga melhor pelo trigo", explica Cesário Melo. O problema é que vindo do Canadá o produto encarece mais ainda com o transporte, dada à distância do país, somada à sazonalidade.
Apesar de o Brasil não ter tradição de produzir trigo, há regiões como o Sul que poderiam contribuir para amenizar o problema. Acontece que a produção do trigo está cada vez mais escassa, pois atualmente o governo vem incentivando a produção da soja e do biocombustível, e com isso o trigo fica em segundo plano.
O primeiro reajuste foi de 12% e aconteceu no final de fevereiro deste ano, o segundo de 12% foi no mês passado.
Para o presidente da Apasmo não há previsão se esse preço voltará a cair ou mesmo subir mais ainda. "Não sabemos ainda como vai ser. No último reajuste pensávamos que o preço iria se manter, mas agora houve isso. Não há previsão de melhora". Por outro lado, já foi informado que até junho a saca do trigo deve chegar a 100% de aumento.
PREJUÍZO
Com o aumento do trigo os prejuízos são grandes para os comerciantes e para os consumidores. Segundo Cesário Melo, a queda nas vendas já chegou a 25% no último reajuste. Aliado a isso vem o desemprego de funcionários no setor de panificação que atualmente está em 10%. "Para que não repassemos o aumento na integridade temos que reduzir gastos e para isso precisamos demitir", explica.
"O setor hoje está uma via-crúcis, passando pela pior fase já existente", lamenta Cesário Melo.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Falta merenda nas escolas municipais de Mossoró

Alunos da Escola Municipal Castro Alves estão há um mês sem merenda escolar

Adriana Morais

Alunos da Escola Municipal Castro Alves, que fica situada no bairro Bom Jesus, estão há um mês sem merenda escolar. A escola trabalha com alunos das séries do Ensino Fundamental I.
O pai de um aluno, que não quis se identificar, reclama da falta de merenda na escola. "Tenho dois filhos que estudam lá, um de sete e outro de oito anos. Eu não tenho condições de comprar todo dia lanche para eles levarem para a escola. Por isso, muitos dias as crianças ficam das 7h às 11h estudando e sem comer nada", afirma.
A diretora da Escola Municipal Castro Alves, Márcia Regina, informa que a merenda escolar está em falta, porque os alimentos não estão sendo repassados para o colégio. Ela acrescenta que este é um problema que está afetando outras escolas do município.
Ela explica que devido a este momento de transição de secretários da Educação do município, o contrato com a distribuidora que encaminha os alimentos para as escolas municipais não foi renovado, por este motivo o repasse de merenda escolar ficou suspenso.
De acordo com Márcia Regina, nesta semana houve uma reunião com os diretores das escolas municipais, com o secretário de Educação, Francisco Carlos, e ele explicou sobre a situação informando que iria tentar solucionar a questão o mais breve possível.
A reportagem do O Mossoroense tentou entrar em contato com o secretário Francisco Carlos, mas não conseguiu falar com ele.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Sonegação do IPTU chega a 70% dos mossoroenses


Mais de 39 mil pessoas deixam de pagar IPTU

Leilane Andrade


Até o dia 30 de março deste ano, apenas 17.953 pessoas haviam efetuado o pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Ou seja, dos 57 mil cadastrados na Secretaria de Tributação do município mais de 39 mil deixaram de pagar o imposto. Segundo o secretário Ubiracy de Assunção, a inadimplência até agora foi de 70%.
No ano passado, no mesmo período foi arrecadado 16.082 e até o final de 2007, mais cinco mil pessoas procuraram a secretaria e efetuaram o pagamento. "A inadimplência continua alta, mas está diminuindo a cada ano. Esperamos diminuir para 60% até dezembro", diz o secretário.
Apesar da baixa arrecadação, Ubiracy de Assunção afirma que foram atingidas as expectativas. "Estamos sempre dando mais incentivos para a pessoa pagar o imposto. No ano 2000, apenas quatro mil pessoas pagavam e comparando com hoje já tivemos considerável avanço".
Em valores, a arrecadação foi contabilizada em 3,5 milhões no ano passado. Ainda conforme informações do secretário, caso não houvesse o desconto de 50% para aqueles que optarem pelo pagamento à vista, a arrecadação em reais seria maior. "Cerca de 70% dessas pessoas que pagaram o imposto escolheram o desconto, o resto preferiu parcelar durante o ano".
A inadimplência para Ubiracy deve-se a problemas de anos anteriores. "Antes não havia muita cobrança e não exigia o pagamento, o que deixou muita gente devendo bastante. Hoje, quem tem grandes pendências, nós estamos cobrando judicialmente", explicou.
A Secretaria de Tributação pretende realizar futuramente um recadastramento dos imóveis da cidade. Os dados utilizados hoje estão defasados, pois o último levantamento feito no município foi em 1990. "Estamos estudando essa possibilidade. São quase 20 anos e muita gente reformou suas casas e outras adquiriram imóveis durante esse tempo".
APLICAÇÃO
Em Mossoró, de acordo com o secretário de Tributação, o IPTU é aplicado, dentre outras ações do governo, principalmente em obras, como construção de prédios, asfalto, calçamentos, além de ajudar no pagamento da folha dos servidores. "Há tempos estamos com uma arrecadação baixa, mas aos poucos estamos recuperando", salienta Ubiracy de Assunção.
O secretário aproveita para informar que as pessoas podem se dirigir à Tributação Municipal a qualquer dia do ano para efetuar o pagamento do IPTU referente a 2008 e anos anteriores.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Observador Político


O Exercício da cidadania pelas ondas do Rádio e da TV

WILLIAMS VICENTE

A década de 1980 foi marcada pelo retorno aos poucos à democracia. A abertura política estava se concretizando, os brasileiros prestes a escolherem seus dirigentes, os políticos cassados regressavam ao país e à vida pública. Mas antes mesmo que a democracia chegasse definitivamente ao cotidiano do país, Mossoró dava mais um passo rumo à liberdade da comunicação. Não na Praça de Atenas, como acontecia na Grécia Antiga, mas de maneira plural, via rádio.
Quando o presidente-diretor da Rede Resistência de Comunicação, dr. Laíre Rosado, pensou no Observador Político no início dos anos 1980, talvez ele não tivesse certeza se o formato do programa atravessaria a década e chegaria aos 28 anos de história. Mas atravessou. Ao meio-dia de 23 de abril de 1980 entrava no ar pela Rádio Tapuyo (atual RPC) o programa que se propunha a comentar as notícias do ambiente político durante 15 minutos de segunda a sexta-feira.
"O Observador Político surgiu quando o prefeito Dix-huit Rosado e o deputado Vingt Rosado, sócios da Rádio Tapuyo de Mossoró, não tinham um programa que noticiasse as ações dos dois e também para comentar outros assuntos. Então conversei com eles para fazer o programa e eles concordaram. A partir desse instante o programa foi ao ar", conta Laíre Rosado.
Pouco tempo depois da estréia, Laíre Rosado dividiu o estúdio com o radialista Evaristo Nogueira, que atuou também como vereador em Mossoró. A dobradinha rendeu tanto que 15 minutos já não eram suficientes para o projeto. O tempo passou então para os 30 minutos.
Consolidado, o Observador Político despertou a atenção da cidade e de profissionais que ajudaram a riscar a história da empreitada radiofônica: o conceituado jornalista Dorian Jorge Freire e o empresário Diran Amaral surgem nesses primeiros anos de programa para enriquecer o projeto, o que acabou por determinar a extensão do Observador para 1h hora de duração. Dividiram microfones ainda nomes como Walter Fonsêca, Fabiano Santos, Lupércio Luís Azevedo e Luiz Soares.

SEGUNDA FASE
Do rompimento político entre Dix-huit e Vingt Rosado foi escrita mais uma página na história do programa. Vingt Rosado criou a FM 93, da Rede Resistência de Comunicação, em 13 de junho de 1988, e o Observador Político passou a contar com nova casa. Isso significou, ao longo do tempo, estar no ar em quase 200 municípios pertencentes aos estados do Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba.

TERCEIRA ETAPA
Em março de 2007, o Observador deu mais um passo com a transmissão pela TV Mossoró, canal 7(aberto) e 34 (cabo), da Fundação Vingt Rosado. Aqui, o programa adquire caráter generalista e educativo.
"A diferença da TV é a questão da interação. Como as pessoas lhe vêem, elas passam a reconhecer-lhe na rua. Isso é gratificante. Ser reconhecido na rua é mais um canal de diálogo, a gente traz a voz da rua".

A TV com seu poder imagético serve para tirar qualquer dúvida sobre a credibilidade do Observador. Estar na tela dá rosto às vozes do rádio e abre espaço para mais interação. Além da linha tefônica, o ouvinte/telespectador começa a contar com os recursos da internet para participar ao vivo da transmissão.

Quem observa, analisa, pratica o exercício da isenção, assim como fazem diariamente os apresentadores Laíre Rosado, Lahyre Neto, Edmundo Torres, Emery Costa e Rosemberg Estevão.
"O programa tem importância fundamental porque coloca todas as questões que dizem respeito a Mossoró e região em debate. Colocamos a sociedade mossoroense para pensar seu problema e as soluções possíveis", avalia Emery Costa.
Agora, o programa está costurado pelo jornalismo comunitário, aquele que dentro da Teoria da Comunicação se define por atender as demandas da cidadania e serve como instrumento de mobilização social. O compromisso não é apenas factual, mas também social. "O programa abriga a carência da cidade de ter um espaço para falar sobre ela. Ele desenvolve um papel social importante, em todas as esferas sociais. É um porta-voz do povo", diz Rosemberg.
Não é à toa que os telespectadores/ouvintes Flávio de Oliveira, 20, Maria de Fátima de Souza, 47, e Lindoval Gomes, 52, têm a mesma resposta quando são perguntados por que vêem o programa: "Para saber o que está acontecendo na cidade".

ENTREVISTA
Dentro do aspecto da Teoria da Comunicação de se apresentar, não raro, ao serviço da comunidade, seguindo naturalmente o jornalismo comunitário, o Observador Político longe de intenções subliminares e de retórica sub-reptícia, abre as portas para a prática imprescindível da cidadania, através do recurso da entrevista. O debate passou a desfilar por todo e qualquer tema que interesse ao progresso da sociedade mossoroense.
"O Observador sempre foi um instrumento de prestação de serviço e com a ida para a TV isso se intensificou. A gente entrevista médicos, psicólogos, políticos, advogados, artistas. Estamos abertos a todos", ratifica Lahyre Neto.
A prestação de serviços corrobora-se nas palavras dos próprios entrevistados.
"O programa é de suma importância para Mossoró porque dá oportunidade ao cidadão de reivindicar, além de politizá-lo. É um programa imprescindível e é democrático", avalia o vereador Francisco José Júnior.
A vice-prefeita de Mossoró, Cláudia Regina, complementa: "É uma grande oportunidade de estabelecer uma discussão ampla e também vejo que ele contribui muito com a questão da cidadania à medida que você aponta situações que precisam ser melhoradas. É a contribuição para os encaminhamentos de situações de políticas públicas que precisam ser melhoradas".


BASTIDORES
À época do rádio, o universo dos bastidores era pela natureza do veículo mais fácil de lidar. Os observadores tinham na frente apenas o microfone e as próprias idéias. Na TV, o tempo parece que passa mais rápido e cada minuto significa a dedicação da equipe para que no ar tudo esteja no lugar exato. Conversar com eles para fazer essa matéria é sinal de corre-corre, de encontrar Edmundo Torres às pressas para cumprir outros compromissos pós-programa, ou de achar um espaço no curto tempo do dr. Laíre Rosado.
Para o programa ir ao ar deve se pensar na maquiagem, no posionamento dos observadores e entrevistados diante das câmeras. "Houve uma certa dificuldade no começo porque eram 27 anos no rádio e quando passa para a televisão é um impacto forte porque tem que estar olhando para câmera aberta ou fechada, onde colocar as mãos. Até questão de roupa teve que ser pensada. Vir do rádio para televisão não é difícil, mas é diferente. A audiência que a gente tem é muito grande. O pessoal liga para cá falando da importância do Observador e na TV todos passaram a conhecer os apresentadores, a notícia ganhou mais credibilidade porque estão olhando no olho de quem está falando. Os espectadores gostaram dessa novidade", conta a produtora Iara Monteiro.

sábado, 19 de abril de 2008

Padre Guimarães Neto e a poesia de inspiração divina




WILLIAMS VICENTE




Manoel Vieira Guimarães Neto, ou Padre Guimarães Neto, ou Ir. Manoel (nome com o qual ele atualmente é conhecido no Mosteiro), é um homem de jovialidade impressionante e de capacidade de transmitir a paz em suas palavras de maneira que faz qualquer pessoa crer na predestinação. "Minha mãe conta que quando grávida uma comadre dela passou lá por casa e o padre Francisco passava pela cidade, dando a bênção às mães grávidas. Essa comadre convidou e quando o padre pronunciou a fórmula da bênção sobre a cabeça dela, ela fez uma prece a Deus oferecendo aquela criança e nesse momento eu estremeci em sua barriga", conta.
Em meados deste ano, dia 7 de junho precisamente, Padre Guimarães completará 27 anos de vida dedicados ao sacerdócio. À frente da Paróquia de São Manoel na maior parte do tempo em que se dedicou diretamente ao cotidiano da Igreja, hoje ele deixou de ser padre diocesano para seguir um chamado inadiável. "Ninguém se faz monge sozinho. Pra gente viver e transmitir, a gente tem que receber a tradição monástica".
Por isso, Padre Guimarães faz atualmente o Noviciado em Ponta Grossa, no Paraná, onde recebe a tradição beneditina. Junto a um noviço pernambucano e outro natalense, em março de 2009 Padre Guimarães estará de volta à terra da resistência para erguer os pilares do primeiro mosteiro masculino de Mossoró, o Mosteiro Beneditino que será dedicado à Santíssima Trindade. A festa da Santíssima Trindade, aliás, acontecerá no ano que vem, no dia 7 de junho, mesma data em que o Padre Guimarães completará 28 anos de sacerdócio.
"Eu não deixei nem a igreja, nem de celebrar a missa. Há uma diferença entre padre religioso e padre diocesano. Eu agora, como padre religioso, estou ligado a uma Ordem, no meu caso, a Ordem de São Bento. Ainda mantenho vínculo com a Diocese, mas estou nessa fase de transição. Também devo obediência a meu abade em Ponta Grossa. Mas desde criança sonho em ser monge. Sempre achei que era um sonho quase impossível e que eu teria que me contentar em ser padre diocesano. Até que em 2001 fiz um retiro espiritual, os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, na serra de Baturité - CE. Terminado o retiro, eu descobri que era feliz como padre diocesano, mas me faltavam duas coisas: vida de silêncio e Oração Comunitária".
O trabalho dedicado à Paróquia é perceptível através das missas, dos trabalhos sociais desenvolvidos pelas pastorais e pouca gente se dá conta que a vida num Mosteiro não significa o abandono das preocupações com as mazelas do planeta. Lá, a contemplação absoluta do divino tem tanta força quanto qualquer ação material em prol da preservação e salvação da humanidade. Para Padre Guimarães, a força da oração pode mover o mundo.
"Tem gente que acha que não tem mais sentido, mas pelo contrário. Já anunciaram não sei quantas vezes a morte de Deus e a gente vê o contrário, o ser humano cada vez mais se volta para Ele. A contribuição mais revolucionaria para o bem da humanidade é através da oração. A própria ciência já se curva, reconhecendo que os pacientes que têm fé se recuperam mais rapidamente. Então, creio que com um mosteiro como esse em Mossoró, as pessoas vão ter consciência que em um determinado lugar da cidade um grupo de homens estará reunido para rezar pelo menos sete vezes por dia comunitariamente. Quanto mais oração, melhor. Como padre diocesano dei minha contribuição à paróquia, agora acho que chegou o momento de dar outro tipo de contribuição, anônima. Quando me levanto às 4 horas da manha lá em Ponta Grossa e circulo pelos corredores do mosteiro, me dou conta de que hoje eu contribua talvez mais do que antes para o bem da humanidade."
A contribuição de Padre Guimarães, no entanto, vai além dos frutos da oração. As ligações com São Bento dão margem para entender outro dom. Padre Guimarães acredita que se atreve a andar pela trilha da escrita, mas o movimento que ele causou na cultura local e as palavras que registram sua experiência através da poesia provam que não se trata de atrevimento. Padre Guimarães é também artista por natureza.
"Não fui eu que escolhi São Bento, foi ele que me escolheu. Passei um tempo no Rio de Janeiro fazendo teatro e quando a carreira estava deslanchando, resolvi voltar pro seminário e essa volta se deu no Mosteiro de São Bento. Na época não percebia, mas hoje vejo como ele esteve presente na minha vida. Quando senti esse desejo mais forte de ser monge, o Mosteiro que decidi fundar foi inspirado na Regra de São Bento. Sempre fui beneditino. O valor que São Bento dá a arte, a contribuição dos mosteiros para a cultura do mundo ocidental foi fundamental, o monges sempre recuperam obras de arte antiqüíssimas... São Bento na própria Regra pede uma atenção especial aos artistas. Agora no mosteiro voltei a desenhar, escrever...coisas que eu não tinha tempo de fazer".
Desse amor pela arte nasceram peças que marcaram os teatros mossoroenses desde 1966, quando ainda estava no seminário ao lado do padre Alfredo Simoneti, no seminário Santa Teresinha, época em que entrou nesse universo como ator no texto de Millôr Fernandes, chamado "Do tamanho do defunto". A partir daí começou a escrever peças baseadas em textos de cunho social, como a adaptação da “Encíclica Populorum Progressio”, de Paulo VI, ou a partir de um comentário de uma vizinha, em 1991, de que na época da ditadura era melhor para viver ("Nunca mais"). Publicou "Chico", um musical sobre São Francisco, posteriormente gravou um CD intitulado "Sedução" que reúne hinos sacros, composições para outras peças e mais canções desenhadas pelo samba. Além de uma comédia inspirada nos velórios, que escreveu e dirigiu em 2005. " 'Vai com Deus' , trata de um tema sério que é a morte, mas juntei vários fatos que aconteceram em velórios aqui em Mossoró e transformei num texto engraçado. Morreu um rapaz que era cozinheiro e a amiga dele convidou todos os amigos para que trouxessem cachaça, salgadinhos, e o velório se transformou numa festa. Teve outro velório onde um homem chegou chorando alto, e ninguém o conhecia. A família do morto foi perguntar por que aquilo e ele disse que naquele dia tinha sido demitido, a mulher tinha fugido com o melhor amigo dele, e ele foi pegar o carro e o filho tinha acabado de bater, então, ele disse que ali era o melhor lugar para ele desabafar naquele dia". Destacam-se ainda "Que bom que você veio", "O santo da Paciência", "O palhaço perdeu a alegria", esta inclusive traduzida para línguas como o espanhol, italiano e luxemburguês.
Antes disso, aos 9 anos, Padre Guimarães ganhou um concurso de calouros na rádio Difusora. Costumava desenhar ainda criança "o padre Huberto de braços abertos. Ele me perguntava por que de braços abertos e eu respondia que era o retrato dele fazendo sermão".
Longe de Mossoró, mas não espiritualmente, enquanto não retorna do noviciado para fundar o Mosteiro da Santíssima Trindade, Ir. Manoel decidiu manter contato com a cidade através de suas poesias publicadas aos domingos neste caderno.
"É uma maneira que encontrei de fazer com que o povo de Mossoró conheça a experiência de um Mosteiro e acompanhe pouco a pouco todo esse período de formação e preparação".

terça-feira, 15 de abril de 2008

FOGO-AMIGO REACENDE CRISE NA CÂMARA


Vereadores da base aliada da prefeita fafÁ rosado querem a cabeça do presidente da Câmara Municipal de Mossoró (CMM), vereador JÚnior Escóssia (DEM). Assunto deve voltar a ser debatido na casa, na sessão de hoje.






Bruno Barreto





Um grupo de vereadores aconselhou o presidente da Câmara Municipal de Mossoró, Júnior Escóssia (DEM), a renunciar ao comando da mesa diretora. A orientação foi dada na semana passada em reunião com a presença de todos os edis.A vereadora Izabel Montenegro (PMDB) disse que a situação da Câmara Municipal está insustentável, desde que começaram as investigações do Ministério Público sobre possíveis irregularidades na casa que resultaram na "Operação Sal Grosso". "A gente sabe dos grandes que existem na Câmara. Já falei isso várias vezes", declarou.A peemedebista disse que o afastamento de Júnior do cargo seria uma forma de dar uma satisfação à sociedade sobre as suspeitas de irregularidades. "Queremos trazer a transparência de volta ao Legislativo. Precisamos mostrar as vísceras da Câmara e com isso dar uma satisfação à sociedade", declarou.A parlamentar informou que em caso de renúncia de Júnior, o democrata deveria ser acompanhado por toda a mesa diretora. "Assim faríamos uma nova eleição e escolheríamos o próximo presidente que seria eleito com o compromisso de agir em comum acordo com o Ministério Público colaborando com as investigações e dando transparência à Câmara", frisou.Apesar de ser colocada como uma líder do movimento a vereadora fez questão de deixar claro que não se trata de um problema pessoal com o presidente da Câmara. "Não tenho nada contra ele, mas essa é uma única solução para mostrar boa fé do Legislativo", disse a vereadora que admitiu que essa é uma solução tardia.A vereadora informou que caso Júnior Escóssia não se pronuncie sobre esse assunto hoje, ela fará um pronunciamento. "Nesse caso serei obrigada a levar isso à tribuna", acrescentou.Procurado por O Mossoroense para comentar essa situação, Júnior Escóssia falou que ainda vai estudar o caso e garante que não vai se pronunciar hoje. "Toda a vida foi assim. Não nasci vereador, nem presidente da Câmara. Num momento como esse de eleição é assim mesmo todo mundo quer se fortalecer para se reeleger. Não é o meu caso, porque não sou candidato este ano. Vou estudar esse caso, oficialmente não tenho posição formada", concluiu.
ARTICULAÇÕESSegundo especulações dos bastidores da Câmara Municipal, o responsável pelas articulações para afastar Júnior Escóssia do comando do Legislativo mossoroense seria o vereador Renato Fernandes (PR).

sexta-feira, 11 de abril de 2008

MOSQUITO DA DENGUE FECHA O FÓRUM SILVEIRA MARTINS

Priscilla Dutra

Fórum suspende atividades por causa da dengue

O Fórum Desembargador Silveira Martins suspende o expediente forense de hoje, 11 de abril. Além dele, os outros três anexos do Judiciário que funcionam no Estado também terão as atividades interrompidas. De acordo com o diretor do Fórum, Cornélio Alves, a medida foi adotada por uma questão de segurança, vez que foram encontrados mosquitos Aedes aegypti nos locais mencionados e será preciso dedetizar o prédio.
"Desde a semana passada estão sendo encontrados mosquitos da dengue no Fórum, mais especificamente nas caixas de ar-condicionado. Convidamos uma equipe do Centro de Zo-onoses para inspecionar e confirmou a nossa suspeita. Diante disso consideramos que a melhor alternativa para a segurança dos funcionários e as pessoas que se dirigem ao Fórum e anexos", disse.
O diretor informa que as audiências que estavam designadas para hoje serão remarcadas, mas ainda não há uma data específica. Os prazos processuais também serão suspensos para resguardar o direito de quem tem processo em tramitação.
De acordo com Cornélio Alves, há uma equipe de plantão hoje para atender casos de urgência como prisões e liminares. O juiz da 4ª Vara Cível, Manoel Padre Neto, é quem ficará no plantão. Já as atividades forenses serão retomadas na segunda-feira, 14 de abril, no expediente normal, das 8h às 18h.

terça-feira, 11 de março de 2008

Pão sofrerá novo reajuste de até 14% no início de abril - O Mossoroense de 12 de março



Pão deverá ter um novo aumento de 14% até abril

ADRIANA MORAIS



O pãozinho de cada dia sofrerá um novo reajuste. De acordo com o presidente da Indústria de Panificação de Mossoró e Região Oeste e Salina do RN (Sindipan), Gerson Nóbrega, até o dia primeiro de abril o produto básico da mesa dos consumidores aumentará em torno de 10% a 14%.
O preço do pão, que em fevereiro sofreu um reajuste de 15%, é vendido hoje, em média, segundo Gerson Nóbrega, entre R$ 4,99 a R$ 6,80 o quilo, conforme a estrutura de cada estabelecimento e passará a ser vendido na casa dos R$ 7,00.
Conforme o presidente do Sindipan, este novo reajuste se dá novamente devido ao aumento no preço da saca de farinha de trigo e provavelmente estes aumentos devem continuar. A previsão é que até julho o preço da farinha dobre e conseqüentemente, o preço do pão deverá seguir estes reajustes.
O reajuste do trigo tem duas razões: primeiro, a quebra na produção mundial no ano passado por causa do clima e aumento do consumo. Mesmo com a redução na taxa de exportação do produto, o preço do principal ingrediente do pão vem aumentando sem parar nos últimos 12 meses. Em fevereiro do ano passado, a tonelada do trigo custava US$ 208, e no mês passado, passou a custar US$ 455, apresentando um aumento de 119%.
Estes constantes reajustes estão preocupando os consumidores que não querem abrir mão do produto, uma vez que o aumento no pãozinho irá pesar no orçamento. Só para ter uma idéia, atualmente para comprar cinco pães o consumidor gasta em média R$ 1,20. Assim, uma família de quatro pessoas com renda de um salário mínimo, por exemplo, que compra esta quantidade de pães diariamente gasta em torno de R$ 36,00 por mês, valor correspondente a 8,5% do salário mínimo. Com o novo aumento a tendência é que algumas pessoas deixem de consumir o produto diariamente.
De acordo com Gerson Nóbrega, esses constantes aumentos no preço dos pães preocupam não só os consumidores como também os comerciantes. "Temos receio que em face destes reajustes haja uma retração nos consumidores e estes passem a substituir o pão por outro produto mais acessível, principalmente aqueles que possuem menor poder aquisitivo", afirma.
O gerente de uma panificadora na cidade, Cesário Melo, destaca que o setor passa por uma crise muito grande e como sempre o consumidor irá sentir no bolso as conseqüências. No entanto, neste caso, não é só o consumidor que está sentindo o prejuízo. "Nós panificadores estamos numa situação muito delicada, com os constantes aumentos estamos perdendo freguesia e conseqüentemente os lucros estão diminuindo", afirma.
Cesário Melo informa ainda que a previsão é que até julho as coisas só piorem. "Com a redução dos lucros e o aumento no preço do produto, estamos trabalhando com a redução ao máximo de custos para não perder ainda mais a clientela", diz.
Para driblar a crise os panificadores estão comprando estoques maiores de farinha de trigo para segurar ao máximo o reajuste dos preços. "Antes a gente comprava saca para 15 dias, agora estamos comprando para 30 a 40 dias, a fim de segurar ao máximo o preço. Além disso, estamos repassando para o consumidor apenas uma parte do aumento da farinha", salienta.
O gerente afirma que a crise que a panificação está passando é muito forte e as conseqüências ainda podem ser mais agravantes. Segundo ele, com o aumento do preço da farinha e a perda da clientela devido aos preços altos, a panificadora corre o risco de até demitir funcionários para poder superar a crise.
Os consumidores reclamam de mais um reajuste. "O pão já está muito caro e é um produto que consumimos diariamente. Com mais um aumento ou vamos gastar muito para poder continuar consumindo ou se não tiver jeito vamos ter que abrir mão do produto", lamenta a estudante Daiana Alves.

domingo, 9 de março de 2008

PMM manda queimar barracos na Alameda dos Cajueiros



Por Adriana Morais


Prefeitura manda derrubar e queimar barracos construídos ilegalmente na Alameda dos Cajueiros

A Prefeitura de Mossoró, por meio da Gerência Executiva de Infra-Estrutura, mandou derrubar cerca de 20 barracos, construídos pelos moradores, ontem pela manhã no bairro Alameda dos Cajueiros. Além de derrubar, os policiais queimaram os barracos.
Os moradores afirmam que não foram informados previamente sobre a ação. "Ninguém nos avisou que a gente tinha que parar as construções. Eles simplesmente chegaram e começaram a derrubar tudo", reclama a moradora Luciana Santos.
Luciana afirma que mora de aluguel e o locador deu um prazo de 20 dias para ela procurar outra moradia, no entanto não tem condições financeiras de alugar uma outra casa, já que os aluguéis na cidade estão muito caros.
"Moro com minhas três filhas e com meu marido, que trabalha fazendo biscates, e não temos como pagar mais o aluguel, por isso estávamos construindo o barraco para poder termos onde morar. Gastei R$ 200 na construção, que ainda estou devendo. Aí eles chegaram e acabaram com tudo. E agora? Onde é que vamos morar?", lamenta Luciana.
De acordo com a moradora Karla Cabral, o terreno estava praticamente abandonado, por isso os moradores resolveram dar início as construções, já que a maioria mora em casa de aluguel ou de favor com algum parente. "Foi só começar a construção que a prefeitura se lembra da região e manda derrubar nossas moradias", diz indignada.
Depois que o pessoal da prefeitura foi embora, o morador Marcos Antônio foi para o meio da fumaça para recuperar o que sobrou do seu barraco. Ele afirma que irá juntar o que sobrou para construir um novo barraco.
Ele diz que esta atitude irá prejudicar muita gente, além disso, ao invés de ficar acabando com a moradia das pessoas a prefeitura deveria se preocupar com coisas mais importantes na Alameda. "Aqui a gente vive isolado de tudo, falta pavimentação, iluminação pública, transporte coletivo e nunca ''apareceu" ninguém responsável para dar ao menos uma satisfação. Agora só porque a gente construiu uns barracos para ter onde morar num terreno que a prefeitura diz que é dela, imediatamente eles sabem vir para derrubar", reclama o morador.